“Vós ainda não resististes até o sangue em vosso combate contra o pecado!”

Há alguns meses, numa cidade distante, conversei com uma mulher muito afligida que tinha se envolvido afetivamente com um padre católico. Numa breve passagem do padre pela paróquia desta senhora, teve a oportunidade de conversar varias vezes com ela. Conversa vai, conversa vem, trocaram-se os telefones entre eles e começaram a se comunicar via WhatsApp em horários diferentes, fora da Igreja.

A situação era a seguinte: duas almas carentes de afeto humano encontrando-se uma com a outra no momento errado, no lugar errado. Isto somente podia acabar mal. A consequência disso todo foi, como podemos imaginar, um apaixonamento de um pelo outro e um desejo de consumar esse afeto desordenado.

Graças a Deus, a estância desse padre era curta e chegou o dia de ir embora. Falaram, se despediram, se trocaram afetuosos abraços… e o padre viajou. A mulher ficou arrasada com tudo isso, pois diversos pensamentos vinham à mente dela constantemente:

“Eu não busquei esse amor: aconteceu”; “Eu não pedi para ele deixar de ser padre nunca”; “Como pode ter acontecido isto comigo, se sou cristã desde criança?”

O demônio, príncipe deste mundo, nos ataca na vida sempre de duas formas: primeiro pela bajulação, seguidamente pela acusação. Inicialmente, tanto na pessoa do padre, como da moça, o demônio agiu de modo semelhante:

“Olha que relação mais linda que está nascendo entre vós! Seria importante que vos conhecêsseis melhor, e assim discernirdes se podem chegar a ser grandes amigos por toda a vida. Você merece ter amigos assim, sinceros, agradáveis, bonitos, por que não?” (bajulação)

Uma vez que o demônio tem dado o primeiro passo, a carne se ocupa do resto provocando o desejo de um pelo outro. Uma vez seduzidos e caindo na tentação, o pecado é uma consequência. Porém, o demônio não fica tranquilo assim e nos engana uma segunda vez, como tinha enganado a esta mulher afligida que falava comigo e com certeza ao clérigo de igual modo:

“Viu como você não presta? Como é possível que tenha se apaixonado dessa pessoa? Não podia!”; “Onde estava Deus nesse momento e por que não o evitou?”; “Deus não existe!”; “Agora só resta abandonar a Igreja” (acusação)

É o momento de combater e não dar mais ouvido ao mentiroso e pai da mentira (Jo 8,44) Porque Deus nos perdoou no seu Filho para que possamos nos levantar dos nossos erros e começar novamente. É o momento de confessar os pecados, deixando a Jesus Cristo carregar nossas culpas e nos devolver a paz. Uma vez os pecados perdoados, deveremos, certamente, sofrer as consequências deles em nossas vidas: vergonha, tristeza, etc. Porém, a palavra de Deus, os sacramentos e o tempo, farão que possamos viver um dia livres novamente.

Caros amigos, podemos encontrar hoje uma bela aprendizagem nessa história, pois nenhum de nós está livre de ver-se na mesma situação um dia qualquer. Se damos o primeiro passo, caindo na imprudência de buscar uma maior intimidade ali onde não devemos buscá-la, o segundo passo estará garantido e muito provavelmente também o terceiro… Por isso, sejamos sensatos e peçamos a Deus que nos ajude a não cairmos na tentação.

E coragem! Pois ainda não resistimos até o sangue em nosso combate contra o pecado!

Fr. Noah Evan

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